O que é adultocentrismo?
- lapseufal
- 22 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de jan.

Adultocentrismo é o reconhecimento de uma estrutura de poder que coloca os adultos (seus saberes, necessidades, visões de mundo, tempos e ritmos) como o centro e a medida de todas as coisas. Em outras palavras, é o mundo sendo planejado, interpretado e governado pelo e para os adultos, tornando as experiências e vozes das gerações mais novas secundárias, invisíveis ou inválidas.
A conceituação crítica do 'adultocentrismo' tem sua origem no pensamento social latino-americano através de pesquisadores do campo da juventude. O conceito se expande para pensar a relação de hierarquia entre adultos e crianças a partir dos estudos da infância, mais precisamente da Sociologia da Infância.
Exemplos de adultocentrismo podem ser encontrados na formulação de algumas políticas públicas que, embora muitas vezes tenham crianças como destinatárias, são elaboradas exclusivamente a partir do ponto de vista, das lógicas e das urgências adultas.
Isso acontece porque no processo decisório as crianças são vistas apenas como objetos de tutela (sobre as quais decidimos o que é melhor), ou projetos de futuro (o "cidadão de amanhã" e não como sujeitos de direitos no presente), além disso a infância é muitas vezes vista como um grupo homogêneo, sem considerar suas diversidades de classe, raça, etnia, gênero, território e corpo.
Essa lógica gera políticas desconectadas da realidade social infantil. Por exemplo:
O adultocentrismo no planejamento urbano se manifesta quando a cidade é projetada prioritariamente para as lógicas adultas de fluxo de carros, valorização imobiliária e funcionalidade comercial. Isso resulta na redução de parques e praças, criando um ambiente inóspito com ruas inseguras e falta de áreas verdes acessíveis. A cidade, então, deixa de ser um território de brincadeira e sociabilidade para a infância e se torna meramente um espaço de passagem entre a casa e a escola. Um exemplo claro é a construção de grandes vias que cortam bairros sem oferecer passagens seguras ou opções de mobilidade ativa, isolando as crianças e violando seu direito fundamental à cidade.
Assim como o patriarcado coloca o homem como padrão universal e o etnocentrismo coloca uma etnia como centro, o adultocentrismo faz o mesmo com a fase adulta da vida, marginalizando todas as outras.
Para saber mais:
CORSARO, William. Sociologia da infância. Porto Alegre: Artmed, 2011.
Qvortrup, J. (2009). ARE CHILDREN HUMAN BEINGS OR HUMAN BECOMINGS? A CRITICAL ASSESSMENT OF OUTCOME THINKING. Rivista Internazionale Di Scienze Sociali, 117(3/4), 631–653. http://www.jstor.org/stable/41625246
Crédito da foto: Parque Infantil Coimbra-PT 2025 - Marina Saraiva



Comentários